Total de visualizações de página

quarta-feira, 25 de maio de 2011

Retomando a aventura

Cavaleiro não solitário

Depois de tanto susto,
sufoco, suor e tensão,
estou aqui a escrever...

Depois de tanto tempo,
preenchido por vazios,
estou aqui a escrever...

Eis que não pude mais me conter,
o que vem de dentro é mais forte,
o que meu peito carrega,
apesar de inexplicável,
precisa ser mal dito...

Eis que a vida me presenteia novamente,
e como cavaleiro solitário que escolhi não ser,
estou aqui... a reescrever...

quarta-feira, 28 de fevereiro de 2007

Para atingir o inatingível...

SEM FIM

A sarjeta acomoda o bêbado,
a amargura esconde o sonho,
de caminhadas se trilha a vida,
o desespero destrói o certo.

A aguardente traduz a fuga,
do morador do velho cortiço,
que segue o vento como sentido,
já não se importa com o destino.

A velha amada se foi há tempos,
abandonou-o como num asilo,
sentindo frio, falta de afeto,
amor inverso, carência, medo.

Soube entender o real sentido,
daquele dito de um tempo antigo,
"Amor real é amor eterno,
quem é a vida para findá-lo?"

No entanto essa vida se fez cansada,
o passo largo se fez inerte,
a aguardente se fez sumiço,
e o cortiço... se fez sarjeta.

quarta-feira, 21 de fevereiro de 2007

De onde veio o nome...

CÉU

Do futuro não restou lembrança alguma,

nem de sonho, nem da arte de cantar,

soube ver, ter e sentir todo momento,

como em conto não guardou nada consigo.

Foi ao céu,

voltou,

como na esquina.

Sentiu na pele a famosa dor da vida,

se curou sem esforço, só suspiros,

quando avô, se lembrou do velho tempo,

hoje jovem, pensa em filhos que virão.

Foi ao céu,

voltou,

se viu feliz.

sexta-feira, 16 de fevereiro de 2007

Momentos antes do verdadeiro amor


Bem me quero, bem te quero


Quero quem seja surpreendente, mas sem surpresas clichês, há de ser criativa, sem deixar de ser amorosa, e por sinal amorosa do puro amor, e não da fruta.


Quero quem seja misteriosa, pois sem mistério não há mágica, e sem mágica não há circo, quero um amor de circo, de picadeiro, de alegria e flor da pele.


Quero quem seja sensata, mas que tenha consciência de que pé no chão não se traduz em raíz, e sim em uma sustentação para chegar às nuvens.


Quero quem seja do bem, do bem-me-quer, do bem dizer, daquele bem contrário de mal (escrito com "L").


Quero quem saiba receber carinho, receber flores e chamego, que saiba receber bombons sem espinhas, e aceite poesia sem forçar leitura.


Quero quem me ensine a querer, que me permita querer, que me mostre que o querer já não é tão importante quando ao seu lado estiver.

quarta-feira, 14 de fevereiro de 2007

Será o medo interior?




Conto de caminhar




- "Isso sim me assusta!" Disse o amigo ao lembrar daquele rapaz.


Já fazia algum tempo que ele não se encontrava, seu peito parecia vazio, desencarcerado, foi na época em que flores eram algo de se ver, tocar e sentir. Não entendia que a vida guardava segredos, queria desvendá-los, através de lugares, pessoas ou atitudes.


Se aventurou por várias tribos, de música, viagem , alucinação e lágrimas, mas não se encontrava. Foi de montanha a mar, sem ao menos encontrar vestígio do que era seu. Ele sabia o glossário do mundo, mas não aprendia o beabá de si próprio.


Sentindo praia, perguntava ao mar qual era todo aquele mistério expulso em ondas, a única resposta era o brilho da lua refletido em água, nada de cifras. Quando em estado de cachoeira, tentava acalmar sua ânsia pela razão, via borboletas, seres larvas que decolavam radiantes. Sem pistas pelo caminho.


O rapaz resolveu retornar à terra astral, lá pelas bandas do inconsciente feito natureza. Foi onde cantou a vida, aos acordes de um violão sem sonhos, no tom sublime do desencanto. Amigos e conhecidos se aproximavam, mas percebiam que sua voz e seu olhar haviam deixado o brilho se perder durante a jornada. O que restava era a decepção da busca aparentemente inútil e falha. Aos sussurros recitou poesia, apreciando os últimos raios de um sol que se deitava entre montes.


O frio da noite iluminada era o único companheiro do violão sobre pedras e do bilhete assim escrito: "Andei muito, entre rochas e fontes, desertos e mar, neve e chão, buscando desvendar segredos que insistiam em ocupar toda extensão do meu ser. Aprendi com outros o sentido da vida alheia, inclusive pude me apoderar de almas que vi se transformarem em quase pó. Hoje me descobri ainda mais incerto do verdadeiro sentido de minha busca, e no momento em que me aventuro por essas palavras, descubro que a possível razão de minha finita caminhada só pode estar ligado à metade que perdi por essas vidas."


A partir daí o que se ouviu foi o vento...




segunda-feira, 5 de fevereiro de 2007

Expulsando a melancolia

Sertão

Raiava o dia tal qual um sonho bom,
o Sinhô já não sentia tanto pesar,
e enquanto apreciava o sangue do sertão,
antigas lembranças lhe roubavam a realidade.

A terra em que vivia era seca de cantar,
se ouvia vozes sob cactos e mãos,
os calos e o suor eram velhos companheiros,
de vida, de amargura, de alegria, de amar.

A água, feito ouro, reluzia em seu olhar,
tal qual a juventude necessita de explendor,
a lágrima escorria dos olhos do Sinhô,
que tocou o acordeon e brincou de cantarolar.

A terra prometida ficou só na promessa,
naquele coração a esperança era poeira,
seu único abrigo era a cadeira de balanço,
e a grande companheira, a saudade do piá.

-"Volta não!" Gritava aflito. -"Fica aí no seu castelo!"
E o piá sem sentimento, já nem pensava em seu pai...

segunda-feira, 29 de janeiro de 2007

Qual o lado certo do espelho?

O mundo ao contrário do mundo

O mundo mendigo, ao contrário do outro,
Mendigo ao contrário do mundo em vão,
O poste do mundo, mendigo ou outro,
O mundo ao contrário do poste ou não?

Mendigo, mendigo, que velho outono!
Ou sono perdido entre mundos no fim,
O poste, que poste! Alicerce dos sonhos,
Sorriso entre dentes, na imensidão.

Contrário mendigo? Será verdadeiro?
Correto... enfim, sua parte ele fez,
Cegueira, doença, visão distorcida,
Mundo, vaidade, tentando outra vez.

O poste está realmente ao contrário,
Contrário mendigo, que vive imundo,
Mendigo, meu velho, encostado no poste,
O poste do mundo, ao contrário do mundo.